sexta-feira, 26 de junho de 2009

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32 anos. Trinta e dois anos?! Assombrou-lhe aquela indesejável constatação em pleno 02 de abril. Clarissa Beatriz Souza, 32 anos, arquiteta. Mãe? Não. Mãe não. Riscou aquilo do seu 'currículo imaginário'. Era isso. Era isso que faltava ali. MÃE. M-Ã-E. Mãe. De repente ela sentiu uma tristeza enorme por não ter realizado aquele projeto na sua vida. Como isso foi possível? Era impossível conceber a idéia de que, tendo ela projetado todo esquema da sua vida na tenra idade de 17 anos, esqueceu-se do projeto-base: ser mãe. Mas era compreensível, também. Projetar sua vida aos 17 anos, dois dias depois do desaparecimento da sua mãe não é fácil. Talvez daí se venha a idéia dúbia quanto à maternidade: mãe - ser ou não ser? Eis a questão. É, Shakeaspeare é o melhor nessas horas. Preciso organizar isso - pensou ela agarrada à sua prancheta de estimação. (Ganhara essa prancheta no último ano de curso, como reconhecimento pelo ótimo trabalho desempenhado durante aquele tempo. Mas ninguém viu. Não tinha ninguém pra ver.) Foi isso! Claro! Foi isso. Esqueci-me da idéia de ser mãe por não tinha ninguém para ser pai! Como sou tola! Como esquecer desse 'pequeno' detalhe?! As idéias ficavam cada vez mais confusas na cabeça de Clarissa... Lembrou-se repentinamente: Já sou mãe. Levantou-se e foi lavar o rosto. 52 anos. É Clarissa... - falava pra si enquanto lavava o rosto tirando todos aqueles cremes colocados à noite - Está na hora de acordar. Não. Clarissa nunca foi mãe. Clarissa, na verdade, nunca existiu. Ou melhor, existiu. Até aquele 02 de abril - onde seriam comemorados os seus 52 anos. Os cremes a mataram. Clarissa nunca foi mulher.



26/06/2009 - 10h39

Um comentário:

  1. Fodástico!!!! Pqp!!! (desculpa a expressão
    Mto, mto, mto bom.
    Minha escritora favorita.

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