
"Poesia não é um crime premeditado, em que o escritor forja álibis e procura esconder as pistas. Não sou capaz de dizer: vou escrever um poema. Escrevo como quem existe. Ninguém hesita em existir. Percebo a poesia desde o princípio como um crime passional. É uma explosão de nervos, de música e de pensamento. Surge de um ato solitário, intransferível e altamente singular. Significa matar o amor para que ele sobreviva sem a pieguice. Desbastar o poema para que só fique o essencial. O verso é como uma escultura: o rosto está lá dentro, sendo preciso descobri-lo extraindo pedra. Há quem pense que o texto poético se faz derramando sentimentos no papel, inflamando o ego da namorada, chantageando os amigos com loas, descrevendo as belezas do mundo, com aquela pelúcia própria da hibernação dos ursos (e que só dá alergia!), registrando nossos melhores momentos no diário. É justamente o contrário: não é desabafo, poesia revela a realidade sem intermediários e filtros, uma comoção psíquica, nunca servindo para maquiar ou obscurecer o cotidiano, mas para apanhar os detalhes e as distrações que tornam o leitor mais verdadeiro e intenso. Explicaram ao jovem que versos servem para o deslumbramento, quando eles estão interessados em encontrar algo que expresse sua inquietude civil e o vigor de seus desejos. Na verdade, ensinaram ao adolescente a não gostar de poesia, porque a apresentaram tão fraturada e deslocada do seu mundo, que ele foi tirar suas fotografias 3X4 nas letras da música popular brasileira. Ninguém avisou que o poema pode ter uma história, um enredo, um suspense, uma indignação. Apesar de todo modernismo, pós-modernismo e hiperatividade textual, ainda predomina uma visão romântica do gênero, que não condiz com a aventura das diferenças que a palavra propõe. Falta rigorosamente na poesia um meio-termo entre o popular e o erudito, entre a realidade e o imaginário. Falta uma linguagem que testemunhe e critique nosso tempo, capaz de dar uma função coletiva às descobertas pessoais. Que não seja reduzida a trocadilhos publicitários ou a academicismos de dicionaristas de plantão. A raiz amarga do problema reside na ausência de orientação. Por que a poesia não está/comparece como criação na sala de aula, ficando restrita à leitura avulsa de clássicos e bambas do vestibular? Escrever é ler em dobro". (Fabrício Carpinejar - Publicado no Diário de Sta Maria - RS)
As pessoas nos tolhem. Fato. Em vários aspectos, inclusive... atendo-me ao propósito do texto acima: fui tolhida nisso também. Letras, 1º dia de aula, fala do professor de Teoria Literária:
"- Quem vocês pensam que são? Se vocês pensam que escrevem, esqueçam. Tudo aquilo que vocês já escreveram é nada. Vocês são nada". Forte, vindo de alguém que deveria encorajar a escrita... Pois é... Mas, hoje eu digo: "- Veremos". Ultimamente senti vontade de respirar livremente... Esse blog foi criado na tentativa de fazer isso: expressar, versejar e VerSerJá. Se você sente isso, essa vontade de respirar, expresse-se, de qualquer forma que seja: escreva, grite, cante, dance. Não importa. Esse é o seu momento. É a sua saída, escapatória dessa obstrução imposta. Meta a cara e aceite as consequências, que serão boas e ruins. Mas se você não consegue respirar no momento, não se preocupe. Não se sinta forçado(a), faça quando se sentir à vontade, pois esse é o objetivo: sentir-se LIVRE pra respirar.
- Pra pedir silêncio eu berro... pra fazer barulho, eu mesma faço .•°
A regra é a seguinte: "Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima". (Martha Medeiros)
ResponderExcluirA vida é isso, as pessoas que deveriam nos encorajar, acabam que tirando o nosso estimulo, mas deixar de fzr algo que gosta por causa dessas pessoas que se acham superiores, vale a pena?! vc tá mostrando agora que não. Parabéns por voltar a querer escrever, voltar a querer respirar, eu sempre soube que vc ia ser a minha mais nova escritora favorita.