sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sob o signo de Gêmeos.


Gêmeos representa a essência do mental: sua maior característica é a curiosidade, a comunicabilidade e a irrequietude.

É a agilidade tanto física quanto de pensamento. Mercúrio, o planeta regente do signo, é apresentado na mitologia com asas nos pés.
Gêmeos é o eterno jovial, brincalhão. Sempre buscando por novidades e por diversificar seu leque de relacionamentos.

Sua mente ativa parece nunca repousar e por causa disto tende a ser muito dispersivo. Está sempre atento a algum acontecimento que não pode lhe escapar. É difícil prender a atenção de um geminiano.
Tanta agilidade faz com que dentro de cada geminiano existam sempre duas pessoas. É a sua dualidade.
É um diplomata de carteirinha. Tem boa intuição e sabe agir com malícia, astúcia e convicção. Sabe ser muito humano e acolhedor.

Uma de suas características é falar não somente com as palavras, mas com as mãos, os braços e até através da representação corporal.
Pela sua vivacidade e extroversão Gêmeos atrai as pessoas com facilidade. Gostam de pessoas empreendedoras, dinâmicas e descompromissadas. Aliás, compromissos rígidos não são o seu forte e pontualidade, menos ainda.
Necessitam de variedade e de novas emoções em suas amizades.
Um diversificado círculo social é, para Gêmeos, como que um alimento da alma.

No amor buscam pelo encanto esperando também serem encantados. Gostam do belo e do requintado.
Casamento, para Gêmeos, representa uma união espiritual, onde, deve reinar sobretudo o respeito à independência e à sua liberdade de expressão.


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Deu pra apre(e)nder algo?

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A mulher de gêmeos
Não sabe o que quer
Mas tirante isso
É uma boa mulher.
A mulher de gêmeos
Não sabe o que diz
Mas tirante isso
Faz o homem feliz.
A mulher de gêmeos
Não sabe o que faz
Mas por isso mesmo
É boa demais...

(Vinicius de Morais)


Até tu, Vinicius?



1- Sou ansiosa demais, sou radical demais, sou estressada demais. Comigo ou é 8 ou 80, não tem 79.
2- Sofro de TPM! Sou Geminiana. Mas 'até que eu sou uma pessoa legal'.
3- Adoro ficar horas lendo, assistindo filmes, ouvindo músicas ou simplesmente 'jogando conversa fora'.
4- Morro de saudades os meus amigos e da minha família, não importa se eu os veja todos os dias. Sou emotiva. Amo demais e incondicionalmente.
5- Adoro receber carinho e ser surpreendida.
6- Adoro uma boa aventura, um bom batuque e sou apaixonada por doces.
7- Adoro alta velocidade. Meus pensamentos fluem tão rápido quanto a estrada a frente.

.Queiram ou não, sou assim.



.Pablo Neruda.












You think I'd leave your side baby?

You know me better than that

Think I'd leave you down when you're down on your knees?

I wouldn't do that.

I'll tell you the right when you want...

I'll, I'll find the wound, if only you could sink into me...

Oh when you´re cold I'll be there, hold you tight to me

When you´re on the outside baby and you can't get in

I will show you, you're so much better than you know

When you're lost, when you're alone and you can't get backagain

I will find you darling and I'll bring you home

And if you want to cry I am here to dry your eyes, oooo...

In no time you'll be fine.....

You think I'd leave your side baby?

You know me better than that.

Think I'd leave you down when you're down on your knees?

I wouldn't do thatI'll tell you the right when you want...

I'll, I'll find the wound, If only you could sink into me....

Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me, to me baby.

Ohh when you´re alone I'll be there by your side baby, by your side baby.

Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me, to me baby.

Ohh when you´re alone I'll be there by your side baby.


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(Sade - By your side)




"...não me entenda mal

até que eu sou uma pessoa legal

especialmente com você

eu me esforço tanto pra não machucar ninguém

vamos falar a mesma língua pro nosso bem..."

(Ludov - Da primeira vez)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Inverno e amigos: combinação perigosa.


A primavera passou.

E o verão também.

Era uma vez uma folha, que crescera muito. A parte intermediária era larga e forte, as cinco pontas eram firmes e afiladas.

Surgira na primavera, como um pequeno broto num galho grande, perto do topo de uma árvore alta.

A folha estava cercada por centenas de outras folhas, iguais a ela. Ou pelo menos assim parecia. Mas não demorou muito para que descobrisse que não havia duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore. Alfredo era a folha mais próxima. Mário era a folha à sua direita. Clara era a linda folha por cima. Todos haviam crescido juntos. Aprenderam a dançar à brisa da primavera, a se esquentar indolentemente ao sol do verão, a se lavar na chuva fresca.

Mas Daniel era seu melhor amigo. Era a folha maior no galho e parecia que lá estava antes de qualquer outra. A folha achava que Daniel era também o mais sábio. Foi Daniel quem lhe contou que eram parte de uma árvore. Foi Daniel quem explicou que estavam crescendo num parque público. Foi Daniel quem revelou que a árvore tinha raízes fortes, escondidas na terra lá embaixo. Foi Daniel quem falou dos passarinhos que vinham pousar no galho e cantar pela manhã. Foi Daniel quem contou sobre o sol, a lua, as estrelas e as estações.

Fred adorava ser uma folha. Amava o seu galho, os amigos, o seu lugar bem alto no céu, o vento que o sacudia, os raios do sol que o esquentavam, a lua que o cobria de sombras suaves.

O verão fora excepcionalmente ameno. Os dias quentes e compridos eram agradáveis, as noites suaves eram serenas e povoadas por sonhos.Muitas pessoas foram ao parque naquele verão. E sentavam sob as a árvores. Daniel contou à folha que proporcionar sombra era um dos propósitos das árvores.

— O que é um propósito? - perguntou a folha.

— Uma razão para existir. - respondeu Daniel. — Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. Proporcionar sombra aos velhinhos que procuram escapar do calor de suas casas é uma razão para existir. Oferecer um lugar fresco onde as crianças possam brincar. Abanar com as nossas folhas as pessoas que vêm fazer piqueniques, com suas toalhas quadriculadas. Tudo isso são razões para existir.

A folha tinha um encanto todo especial pelos velhinhos. Sentavam em silêncio na relva fresca, mal se mexiam. E quando conversavam era aos sussurros, sobre os tempos passados.As crianças também eram divertidas, embora às vezes abrissem buracos na casca da árvore ou nela esculpissem seus nomes. Mesmo assim, era divertido observar as crianças.

Mas o verão da folha não demorou a passar.E chegou ao fim numa noite de outubro. A folha nunca sentira tanto frio. Todas as outras folhas estremeceram com o frio. Ficaram todas cobertas por uma camada fina de branco, que num instante se derreteu e deixou-as encharcadas de orvalho, faiscando ao sol.

Mais uma vez, foi Daniel quem explicou que haviam experimentado a primeira geada, o sinal de que era outono e que o inverno viria em breve.

Quase que imediatamente, toda a árvore, mais do que isso, todo o parque, se transformou num esplendor de cores. Quase não restava qualquer folha verde. Alfredo se tornou de um amarelo intenso. Mário adquiriu um laranja brilhante. Clara virou de um vermelho ardente. Daniel estava púrpura. E a folha ficou vermelha, dourada e azul. Todos estavam lindos. A folha e seus amigos converteram a árvore num arco-íris.

— Por que ficamos com cores diferentes, se estamos na mesma árvore? — perguntou a folha.

— Cada um de nós é diferente. Tivemos experiências diferentes. Recebemos o sol de maneira diferente. Projetamos a sombra de maneira diferente. Por que então não teríamos cores diferentes? - Foi Daniel, como sempre, quem falou. E Daniel contou ainda que aquela estação maravilhosa se chamava outono.

E um dia aconteceu uma coisa muito estranha. A mesma brisa que, no passado, os fazia dançar começou a empurrar e puxar suas hastes, quase como se estivesse zangada. Isso fez com que algumas folhas fossem arrancadas de seus galhos e levadas pela brisa, reviradas pelo ar, antes de caírem suavemente ao solo.

Todas as folhas ficaram assustadas.

— O que está acontecendo? perguntaram umas às outras, aos sussurros.

— É isso o que acontece no outono — explicou Daniel. — É o momento em que as folhas mudam de casa. Algumas pessoas chamam a isso de morrer.

— E todos nós vamos morrer? — perguntou a folha.

— Vamos, sim — respondeu Daniel. — Tudo morre. Grande ou pequeno, fraco ou forte, tudo morre. Primeiro, cumprimos a nossa missão. Experimentamos o sol e a lua, o vento e a chuva. Aprendemos a dançar e a rir. E, depois, morremos.

— Eu não vou morrer! — exclamou a folha, com determinação. — Você vai, Daniel?

— Vou, sim... quando chegar meu momento.

— E quando será isso?

— Ninguém sabe com certeza — respondeu Daniel.

A folha notou que outras folhas continuavam a cair. E pensou: "Deve ser o momento delas." Ela viu que algumas folhas reagiam ao vento, outras simplesmente se entregavam e caíam suavemente.

Não demorou muito para que a árvore estivesse quase despida.

— Tenho medo de morrer — disse a folha a Daniel. — Não sei o que tem lá embaixo.

— Todos temos medo do que não conhecemos. Isso é natural disse Daniel para animá-la. — Mas você não teve medo quando a primavera se transformou em verão. E também não teve medo quando o verão se transformou em outono. Eram mudanças naturais. Por que deveria estar com medo da estação da morte?

— A árvore também morre? — perguntou a folha.

— Algum dia vai morrer. Mas há uma coisa que é mais forte do que a árvore. É a Vida. Dura eternamente e somos todos uma parte da Vida.

— Para onde vamos quando morremos?

— Ninguém sabe com certeza. É o grande mistério.

— Voltaremos na primavera?

— Talvez não. Mas a Vida voltará.

— Então qual é a razão para tudo isso? — insistiu a folha. Por que viemos para cá, se no fim teríamos de cair e morrer?

Daniel respondeu no seu jeito calmo de sempre:

— Pelo sol e pela lua. Pelos tempos felizes que passamos juntos. Pela sombra, pelos velhinhos, pelas crianças. Pelas cores no outono. Pelas estações. Não é razão suficiente?

Ao final daquela tarde, na claridade dourada do crepúsculo, Daniel se foi. E caiu a flutuar. Parecia sorrir enquanto caia.

— Adeus por enquanto — disse ele à folha.

E, depois, a folha ficou sozinha, a única que restava em seu galho.

A primeira neve caiu na manhã seguinte. Era macia, branca e suave. Mas era muito fria. Quase não houve sol naquele dia... e foi um dia muito curto. A folha se descobriu a perder a cor, a ficar, cada vez mais frágil. Havia sempre frio e a neve pesava sobre ela.

E quando amanheceu veio vento que arrancou a folha de seu galho. Não doeu. Ela sentiu que flutuava no ar, muito serena.

E, enquanto caía, ela viu a árvore inteira pela primeira vez.

Como era forte e firme! Teve certeza de que a árvore viveria por muito tempo, compreendeu que fora parte de sua vida. E isso deixou-a orgulhosa.A folha pousou num monte de neve. Estava macio, até mesmo aconchegante. Naquela nova posição, a folha estava mais confortável do que jamais se sentira. Ela fechou os olhos e adormeceu. Não sabia que a primavera se seguiria ao inverno, que a neve se derreteria e viraria água. Não sabia que a folha que fora, seca e aparentemente inútil, se juntaria com a água e serviria para tornar a árvore mais forte. E, principalmente, não sabia que ali, na árvore e no solo, já havia planos para novas folhas na primavera.



(Buscaglia - A história de uma folha)



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Todos nós mudamos... a cada 'estação' nós vivemos experiências diferentes... Vivemos toda a intensidade do verão, toda a beleza da primavera e todas as mudanças do outono...
E agora chegamos à estação do inverso... Que vem com mais forças pra APARENTEMENTE 'destruir' tudo... Mas não destrói.


No inverno, tudo muda. As flores mudam, as cores mudam.
A cidade se enche com o cheiro de armário que invade todos os lugares aonde se vai – as pessoas não se preparam.


O ser humano tem essa mania: Não se prepara para absolutamente nada. Raros são aqueles que fogem à regra e, mesmo assim, há sempre um âmbito no qual ele é pego de surpresa. Assim somos nós. Sabemos que tudo é mutável, das coisas às pessoas. Tudo muda. E, mesmo assim, insistimos em manter uma visão de que tudo será igual sempre. E assim sendo nos assustamos com a mudança das pessoas... Porque nos acostumamos a vê-las daquela mesma maneira sempre. É necessário aceitar-se o fato de que as mudanças não são só externas: engorda-se, emagrece-se; deixa-se o cabelo curto ou comprido; roupa branca, roupa preta. Internamente, muda-se também. Nelson Rodrigues já dizia que 'toda unanimidade é burra'... Assim sendo, todo ser imutável é 'burro' da mesma forma.


Há mudanças que são para o bem, há mudanças para o 'mal'. Há aquelas que são fáceis e as que são de difícil adaptação. Pensar que uma mudança é boa ou ruim é algo relativo. Eu posso considerar minha mudança algo bom pra mim e você pode considerar algo ruim, uma vez que atinge diretamente algo a que você estava acostumado. É a velha regra de 'meu direito começa onde o seu termina'. Mudança de pensamento, de atitude ou de humor não é mudança de caráter. Não está diretamente associado a isso. Eu continuarei, na essência, a ter o mesmo caráter que tinha antes... Só que agora serei mais quieta ou mais ativa, mais calada ou mais comunicativa, mais expansiva ou mais reservada. Mas isso não fará de mim uma pessoa pior ou melhor. Fará de mim uma pessoa que tem o mesmo caráter que você já conheceu antes só que com pensamentos e atitudes diferentes. Sou ruim por isso? Torno-me um mau-caráter?


Precisamos ver as pessoas que nos cercam como ser mutáveis e, acima de tudo, nos vermos também. Não se pode ter a mente fechada para tudo – para mudanças inclusive. Tudo nas nossas vidas acontece devido há uma mudança de percurso, como os amigos, por exemplo: Um belo dia seus pais aparecem com a notícia de que vão mudar de cidade. Isso te abala, afinal, você vai para longe da sua família e de todos aqueles amigos que cultivou durante tanto tempo. Acabou-se tudo? Amizades inclusive? Não. Isso é só uma mudança no curso da sua vida. Agora você vai ter a oportunidade de fazer novos amigos, além de manter – se for de interesse de ambas as partes – as amizades ‘antigas’. Ou ainda, sua amiga vai fazer uma festa de aniversário e pretende juntar um grande grupo: amigos da antiga escola, amigos da faculdade, do cursinho, da rua onde moraram 20 anos... Só por isso você já vai armado até os dentes em defesa daquela mudança que você não planejou e sobre a qual não tem controle? Não. Ao contrário, deve-se ir aberto a se divertir, conhecer novas pessoas, fazer amizades. Pronto, etapa cumprida. Agora você tem novos amigos, mas, um belo dia, esses amigos agem de forma que você considera ‘diferente’: ele faz novos amigos. Ele decide dar um rumo diferente para a sua vida. E agora? Acaba-se tudo novamente? Seu amigo passa a ser um traidor só porque não está ali à disposição como antes? É uma pessoa mau-caráter porque anda sem tempo? Quer dizer que seu amigo deixou de amá-lo?


É... No inverno, tudo muda. Aproveitem o inverno, mudem. As pessoas não são melhores ou piores porque não têm mais tanto tempo quanto antes... As pessoas mudam, crescem, ocupam-se... E precisam levar a vida com uma ‘agendinha’ não por serem esnobes, mas, por quererem, talvez, abraçar o mundo de uma só vez. Defeito? Talvez.


Carregada de indignação, abro bem a boca e grito: FLORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM!!!!
E, carregada de esperança grito mais alto ainda: O INVERNO, UM DIA, ACABA! Mas ele volta... Todos os anos ele volta, ou seja, as pessoas – não importa quem seja – vão mudar. E vão mudar sempre. Não vão mudar uma vez e ficar estáticas naquilo... Habitue-se. Não sou melhor ou pior que você. Eu mudei, mude também. Adaptemo-nos.



P.S.: Se eu ainda amo você? Sim. Amo a amiga que sempre tive. Gostaria de tê-la, ainda, incondicionalmente.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

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Will you still love me tomorrow?




Eu gosto
mais do mundo
quando eu posso
olhar pra ele
com
você.
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(Moska)

Veja. Sinta. Seja.

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I think

I'm being

watched.


Caligrafia.

Arte do desenho manual das letras e palavras.

Território híbrido entre os códigos verbal e visual.

— O que se vê contagia o que se lê.

Das inscrições rupestres pré-históricas às vanguardas artísticas do século XX.

Sofisticadamente desenvolvida durante milênios pelas tradições chinesa, japonesa, egípcia, árabe.

Com lápis, pena, pincel, caneta, mouse ou raio laser.

— O que se vê transforma o que se lê.

A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala.

A cor, o comprimento e espessura das linhas, a curvatura, a disposição espacial, a velocidade, o ângulo de inclinação dos traços da escrita correspondem a timbre, ritmo, tom, cadência, melodia do discurso falado.

Entonação gráfica.

Tais recursos constituem uma linguagem que associa características construtivistas (organização gráfica das palavras na página) a uma intuição orgânica, orientada pelos impulsos do corpo que a produz.

Assim como a voz apresenta a efetivação física do discurso (o ar nos pulmões, a contração do abdómen, a vibração das cordas vocais, os movimentos da língua), a caligrafia também está intimamente ligada ao corpo, pois carrega em si os sinais de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão, brutalidade ou leveza do momento de sua feitura.

A irregularidade do traço denuncia o tremor da mão. O arco de abertura do braço fica subentendido na curva da linha. O escorrido da tinta e a forma de sua aborção pelo papel indicam velocidade. A variação da espessura do traço marca a pressão imprimida contra o papel. As gotas de tinta assinalam a indecisão ou precipitação do pincel no ar.

Rastos de gestos.

A própria existência de um saber como o da grafologia, independentemente de sua finalidade interpretativa sobre a personalidade de quem escreve, aponta para a relevância que podem ter os aspectos formais que, muitas vezes inconscientemente, constituem a "letra" de uma pessoa.

O atrito entre o o sentido convencional das palavras (tal como estão no dicionário) e as características expressivas da escritura manual abre um campo de experimentação poética que multiplica as camadas de significação.

Além disso, suas linhas, curvas, texturas, traços, manchas e borrões, mesmo que ilegíveis, ou apenas semi-decifráveis, podem produzir sugestões de sentidos que ocorrem independentemente do que se está escrevendo, apenas pelo fato de utilizarem os sinais próprios da escrita.

O A grávido de O.

Érres e ésses atacando Es.

A multiplicação de agás.

Rios de Us e emes e zês.

Esqueletos de signos fragmentados.

Dança de letras sobrepostas possibilitando diferentes leituras.

Paisagens.

Horizontes ou abismos.


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(Arnaldo Antunes - Sobre a caligrafia)


Abril despedaçado.

(Arnaldo Antunes - 2 ou + corpos no mesmo lugar)



Embora a porta estivesse fechada ela sabia que algo adentraria ali a qualquer momento. Não era fácil conter o ritmo acelerado daquele coração esmigalhado. Havia ali uma ânsia, uma espera e uma expectativa. Triste expectativa de achar que nada daria certo. Olhos cerrados, silêncio. Aquela saudade que martelava-a a cabeça dia após dia. Saudade de uma coisa que não sabia dizer o que era. Era como se naquele mês ela tivesse reencontrad0 algo pelo que estava esperando há tempos.

Havia um calor. E era como se ela estivesse esperando por aquele calor há tanto tempo que o medo de não senti-lo de fato a apavorava! O pavor era tamanho que ela só conseguia repelir aquele calor - embora ela soubesse que aquilo ali era o que ela sempre esperou. Coragem, dizia ela à si mesma.

Abril despedaçado. Foi no que ela pensou. Esse mês, para ela, vinha sendo sendo despedaçado por 02 anos seguidos. NÃO! NÃo. Não. não. Ela não permitiria que, por mais um ano, esse mês fosse despedaçado. Tirou coragem não sabe, ainda hoje, de onde...





... e abriu a porta.




Pronto. Agora cabe à ele - ao calor - adentrar ou não na ante-sala de portas completamente abertas - pensou ela.

agouro agouro


agora


agouro agouro


Ele adentrou. Primeiramente na ante-sala... ainda meio que na dúvida se tirava ou não os sapatos para deixá-los à porta a fim de não fazer sujeira e também sentir-se mais confortável. Um pé dentro. Um pé fora. Pronto... Sapatos tirados. Colocados ali no cantinho. Segundo ele, para que seja mais difícil de se encontrar no caso de bater uma vontade desenfreada de sair correndo. Uma vez que ele tenha que procurar por seus calçados, dará tempo de parar e pensar um pouco. E isso é bom. É, é o melhor a se fazer: deixar os calçados no cantinho. Foi um pensamento sábio esse, pois com essa segurança ele pôde adentrar, em seguida, na sala propriamente dita. E assim se instalou. E abriU. Não despedaçou.
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01/07/2009 11h10

Toda mulher é meio Leila Diniz.
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(Rita Lee - Todas as mulheres do mundo)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Por amor ou euforia
Tudo de novo eu faria
Por amor ou euforia
Eu faria tudo de novo.
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(Ceumar - Boca da Noite)
Despreocupa-se e pensa no essencial: dorme e acorda.

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(Marisa Monte)

“Vamos falar a verdade: isto aqui não é crônica coisa nenhuma. Isto é apenas. Não entra em gêneros. Gêneros não me interessam mais". (Clarice Lispector)

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Aqui em casa pousou uma esperança, não a clássica que tantas vezes verifica-se ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre, mas a outra, bem concreta e verde: o inseto. Houve um grito abafado de um dos meus filhos:

- Uma esperança! E na parede bem em cima de sua cadeira!

Emoção dele que também unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço, mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não podia ser.

- Ela quase não tem corpo, queixei-me.

- Ela só tem alma, explicou meu filho. E como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças. Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre os dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.

- Ela é burrinha, comentou o menino.

- Sei disso, respondi um pouco trágica.

- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.

- Sei, é assim mesmo.

- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.

- Sei, continuei, mais feliz ainda.

Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando, vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não apagasse.

- Ela se esqueceu que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.

Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo. Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha, não uma aranha, mas me parecia “a” aranha, andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse francamente, confusa sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:

- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...

- Mas ela vai esmigalhar a esperança! Respondeu o menino com ferocidade.

- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros. Falei sentindo a frase deslocada e ouvindo certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada; eu lhe diria apenas; você fez o favor de facilitar o caminho da esperança.

O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e com a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em nossa casa, alma e corpo, mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde e tem uma forma tão delicada que isso explica porque eu que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la. Uma vez, aliás, agora que me lembro, uma esperança bem menor do que esta, pousara no meu braço, não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: e essa agora? Que devo fazer? Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E acho que não aconteceu nada.

(Clarice Lispector - Uma esperança)

"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade". (Mário Quintana)

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"A alegria não está nas coisas, está em nós". (Goethe)

Sim, eu sou feliz.