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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

- o meu amigo é o meu amor.

Vê que o meu sorriso é verdadeiro
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar

Dos tempos de tristeza
Tive o tanto que era bom

Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a minha estrela

Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor
É hora de acordar
Tenho jasmim
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Tenho o verão, tenho valor
Eu tenho um desejo e uma oração
Vivo feliz, tenho amor
E eu vou cantar uma canção pra mim
Vem que é hora de acordar...
Vê que a minha força é santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a minha estrela
Vê que o meu sorriso é verdadeiro
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Tenho jasmim, tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
(Celeste - Renato Russo e Marisa Monte)

P.S.: Para o meu pequeno-grande amor:
"Liberdade na vida é ter um amor pra se prender".
                                                     (F. Carpinejar)

Clarisse.

Estou cansado de ser vilipendiado.incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos,das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move
Não trabalha.
E clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto,seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor,o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever,como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente,ou inexistente
Nada existe pra mim,não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança é o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros,seu cansaço.