domingo, 10 de outubro de 2010

- I'm here but I'm really gone.

"Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas".
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(Clarice Lispector)

sábado, 9 de outubro de 2010

Luz antiga.

Eu só queria que você cuidasse
Um pouco mais de mim como eu cuido de você
Cuidar é simplesmente olhar
Pro mundo que você não vê
Pra medir o amor não existe cálculo
Um mais um pode não ser dois
Futuro é linda paisagem
Desejo que não é sonho é mera ilusão
Se não sabe /Se afaste /De mim
Se ainda cabe /Me abrace /Enfim
Só ligue se tiver vontade
Só venha se quiser me ver
Mentir é pura vaidade
De quem precisa se esconder
Se não sabe /Se afaste /De mim
Se ainda cabe /Me abrace /Enfim
Será que eu vejo apenas o que você não vê?
Eu não entendo como você não pode perceber
Que eu não sei mais

Eu não sei mais, eu não sei mais
Eu não sei mais, eu não sei mais
Eu não sei...
(...)
Se não sabe /Se afaste/ De mim
Mais antes que seja tarde /Nos salve /Do fim
(Ana Cañas e Nando Reis)


Video: http://www.youtube.com/watch?v=56x4JcoOJU4&feature=player_embedded

P.S.: "A Ana é azeda... mas é doce, quando é doce...".

- E quem pode comigo quando eu digo tudo o que sinto?



- É tempo de me fazer, eu sei.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

- amargando Cazuza.

"...quem não sabe amar/ Fica esperando /Alguém que caiba no seu sonho /Como varizes que vão aumentando /Como insetos em volta da lâmpada" (Blues da piedade)


"Estranho o teu Cristo, Rio /Que olha tão longe, além /Com os braços sempre abertos/Mas sem protejer ninguém/Eu vou forrar as paredes /Do meu quarto de miséria /Com manchetes de jornal/ Pra ver que não é nada sério/ Eu vou dar o meu desprezo / Pra você que me ensinou /Que a tristeza é uma maneira /Da gente se salvar depois"                         
                                                                                                          (Um trem para as estrelas)


"Eu tive um sonho ruim e acordei chorando /Por isso eu te liguei /Será que você ainda pensa em mim? /Será que você ainda pensa? /Às vezes te odeio por quase um segundo /Depois te amo mais" (Quase um segundo)

"Alguém me espera /E adivinha no céu /Que meu novo nome é /Um estranho que me quer... Ela é um satélite /E só quer me amar /Mas não há promessas, não /É só um novo lugar ... Viver é bom /Nas curvas da estrada /Solidão, que nada /Viver é bom /Partida e chegada /Solidão, que nada" (Solidão, que nada)

"Por que você me olha com esses olhos de loucura? /Por que você diz meu nome? /Por que você me procura?/ Se as nossas vidas juntas vão ter sempre um triste fim ... Pra que este beijo agora? / Por que [...] este abraço? /Se um dia você vai embora sem sofrer os tormentos que eu passo / De que vale sonhar um minuto se a verdade da vida é ruim?"                                                                                              (Preconceito)
"Senhores deuses, me protejam / De tanta mágoa /Tô pronto para ir ao teu encontro /Mas não quero, não vou, não quero /Não quero, não vou, não quero" (Azul e amarelo)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

- so sad.

"E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que os amigos não se perdem".
(Caio F. Abreu)

- Não esqueço nunca.

Porto Alegre, 10 de agosto de 1985


"... Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem. Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito linda e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. 

Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo, 

Caio F. 

P.S.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol."

- Vai passar.

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

- I'll keep myself in silence.

(Imagem: Banksy)

- Meu Deus, como você me dói, às vezes.

Tô exausto de construir e demolir fantasias. 
Não quero me encantar com ninguém.
(Caio Fernando Abreu)


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

- Do u know u made me cry?

Suddenly something has happened to me
As I was having my cup of tea
Suddenly I was feeling depressed
I was utterly and totally stressed
Do you know you made me cry???
Do you know you made me die???

And the thing that gets to me
Is you'll never really see
And the thing that freaks me out
Is I'll always be in doubt
It is a lovely thing that we have
It is a lovely thing that we
It is a lovely thing, the animal The animal instinct

(...)

And the thing that gets to me
Is you'll never really see
And the thing that freaks me out
Is I'll always be in doubt

(The Cranberries - Animal Instinct)