terça-feira, 24 de agosto de 2010

eu enlouqueço com uma mulher que mexe nos brincos no meio de uma conversa.

(...) eu enlouqueço com mulher que mexe os brincos no meio de uma conversa. Há um desinteresse charmoso nesta atitude. Quase um desprezo desafiador. Redobro as gentilezas. Ofereço o que ela não ousou pedir. Sinto que vou perdê-la no próximo instante, que algo que lembrou supera a minha voz.

Para me torturar, ela vira o pescoço sutilmente ao lado. Tal apresentadora atendendo a um ponto dos produtores. Não posso acusá-la de indiferença - mantém os olhos no meu rosto.

Comemoro sua sofisticação, a complexidade dissimulada. Concluo que esteja conversando com seus demônios. E que o demônio no ombro direito ameaça, bem desaforado:
- É sempre dia para o corpo. Vai, abraça esse canalha!

Já a percebo como uma feiticeira, uma bruxa, uma doida, que está definindo sua vida tocando as curvas do lóbulo. É o detalhe que decide. O detalhe conspira, inunda, confunde. Ela diz sim a partir dos ouvidos mais do que da boca. O ouvido tem que gostar de mim.

(Fabrício Carpinejar - O que o homem deveria enxergar)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Amante da Algazarra


Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela!!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.

Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Molière.

"(...) Coração que nos esquece nos lança um desafio e é preciso, para esquecê-lo, usar de todos os meios: se não se conseguir, deve-se pelo menos fingir. E não se perdoa nunca a covardia de demonstrar amor a quem nos abandona." (Tartufo - p. 59)

sábado, 31 de julho de 2010

- é só.

.
.
.
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até
aqui de mágoa.

A força que nunca seca.

Já se pode ver ao longe
A senhora com a lata na cabeça
Equilibrando a lata vesga
Mais do que o corpo dita
Que faz o equilíbrio cego
A lata não mostra
O corpo que entorta
Pra lata ficar reta
Pra cada braço uma força
De força não geme uma nota
A lata só cerca, não leva
A água na estrada morta
E a força que nunca seca
Pra água que é tão pouca

terça-feira, 27 de julho de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Para um amor no Recife.

A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto
Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor
Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo este tempo passe
Para beijar você

sábado, 24 de julho de 2010

- Se proprio devi odiarmi fallo ora.